sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Concordância Nominal
I- CONCORDÂNCIA DO ADJETIVO COM O SUBSTANTIVO Regra Geral: o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo.
1. Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos:
a) o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo mais próximo se apenas a ele se refere: Lá estava o cavalo e a casa DESTELHADA.
b) irá para o plural se sua referência se estender a todos; se todos os substantivos são do mesmo gênero, este será conservado: Aquele foi um beijo e um abraço DEMORADOS.
Ela tem roupa e casa LIMPAS. / Pelé e Amarildo saíram CABISBAIXOS.
. se os gêneros são diferentes, receberá o adjetivo flexão masculina:
Mulher e marido BRIGUENTOS devem ter paciência.
c) o adjetivo concorda em gênero e número com o mais próximo:
. quando os substantivos são sinônimos entre si: O furor e a raiva HUMANA podem matar.
. quando os substantivos se alinham em gradação: A inteligência, o esforço, a dedicação EXTRAORDINÁRIA venceu tudo.

2. Adjetivo anteposto a dois ou mais substantivos:
a) quase sempre concorda com o substantivo mais próximo em gênero e número:
Escolheste MAU lugar e hora para falar no assunto.
AROMÁTICAS rosas e cravos adornam o jardim.
b) se o adjetivo estiver anteposto a nomes próprios de pessoas ou a títulos, deverá ir para o plural:
Muitos nos ensinaram os GRANDES Machado de Assis e José de Alencar.
Os AFORTUNADOS embaixador dos Estados Unidos e primeira-ministra de Israel escaparam do atentado.

II- CASOS ESPECIAIS 1. ANEXO - INCLUSO - LESO - MESMO - PRÓPRIO - QUITE – OBRIGADO –
Concordam com o substantivo a que se referem:
ANEXA à presente, enviamos a relação das mercadorias. / No processo de compra, não estavam ANEXOS os orçamentos. / Remeto a V.S.as., INCLUSA nesta pasta, uma fotocópia do recibo. / Remeto a V.S.as. o recibo INCLUSO nesta pasta. / Ajudar esses espiões seria crime de LESA-pátria. / Os alunos MESMOS organizaram o trabalho.
Eu PRÓPRIA conferi a carga, disse a secretária. / OBRIGADO, respondeu o chefe. / A esposa do chefe também não cansava de dizer OBRIGADA. / Estou QUITE com minhas dívidas. / Estamos QUITES com o serviço militar.

2. é PRECISO, é NECESSÁRIO, é BOM, é PROIBIDO
a) referindo-se a nomes sem elementos determinantes, essas expressões ficam invariáveis: É PRECISO força para trabalhar e estudar. / É NECESSÁRIO segurança para se viver bem. / É BOM plantação de erva-cidreira para afugentar formigas. É PROIBIDO entrada de pessoas estranhas.
b) com nomes acompanhados de elemento determinante, essas expressões concordam com ele em gênero e número: SERIAM PRECISOS vários bombeiros para deter o incêndio.
É NECESSÁRIA a tua compreensão. / É BOA a plantação de erva-cidreira para afugentar formigas. / É PROIBIDA a entrada de animais.

3. Só – SÓSa) Só= sozinho: concorda com a palavra a que se refere: Eles estão sós.
b) Só= somente, apenas : é invariável: Ele só falou bobagens.
c) A sós = sem companhia: é invariável: Eles ficaram a sós/ O casal ficará a sós.

4. BASTANTE(s)
a) bastante= advérbio de intensidade: é invariável
Ele ficou BASTANTE preocupado
b) bastante= pronome indefinido (=muitos)- flexiona-se
Naquela classe há BASTANTES rapazes.

5. MEIOa) meio= advérbio de intensidade: é invariável;
Ando MEIO distraída ultimamente.
b) meio= numeral (=metade): flexiona-se - É MEIO dia e MEIA. (meia hora)
Ele comeu meio bolo sozinho.

6. MENOS- ALERTA - PSEUDO - A OLHOS VISTOS -São sempre invariáveis.
Lúcia emagreceu A OLHOS VISTOS. / Na classe, há MENOS moças que rapazes.
Na porta dos bancos, os seguranças ficam ALERTA. /Trata-se de PSEUDO-especialistas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Trovadorismo













Encontrei na net esta cruzadinha sobre o Trovadorismo, é um ótimo exercício para memorizar as características desse período.

















































quarta-feira, 28 de abril de 2010

Poemas de Fernado Pessoa (ortônimo)

Conforme prometido...

Poesias de Fernando Pessoa (ortônimo)

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.



Eros e Psique

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino -
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.
E, inda tonto do que houvera,
à cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa heterônimos (cont.)

Olá, cambadinha dos 3ºs A e B!

E aí, Gostaram do Fernando Pessoa? Ele é O Cara, não é mesmo? Aqui está a postagem sobre os heterônimos Ricardo Reis e Álvaro de Campos pra vocês conhecerem. Enquanto isso, vou preparando um exercício para fixação.

Até mais,

Jusara

Ricardo Reis

nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, tendo recebido, por isso, uma educação clássica (latina). Estudou (por vontade própria) o helenismo, isto é, o conjunto das ideias e costumes da Grécia antiga (sendo Horácio o seu modelo literário). A sua formação clássica reflete-se, quer a nível formal, quer em nível dos temas por ele tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado.
Apesar de ser formado em medicina, não exercia. Dotado de convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Caracterizava-se por ser um pagão intelectual lúcido e consciente (concebia os deuses como um ideal humano), refletia uma moral estoico-epicurista, ou seja, limitava-se a viver o momento presente, evitando o sofrimento (“Carpe Diem”) e aceitando o caráter efêmero da vida.


Características temáticas

Epicurismo
- busca da felicidade relativa
- moderação nos prazeres
- fuga à dor
- ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação)

Estoicismo
- aceitação das leis do destino
- indiferença face às paixões e à dor
- abdicação de lutar
- autodisciplina

Horacionismo
- carpe diem: vive o momento
- aurea mediocritas: a felicidade possível no sossego do campo (proximidade de Caeiro)

Paganismo
- crença nos deuses
- crença na civilização da Grécia
- sente-se um "estrangeiro" fora da sua Pátria, a Grécia.
Culto do Belo, como forma de superar a efemeridade dos bens e a miséria da vida
Intelectualização das emoções
Medo da morte

Neoclacissismo
- Poesia construída com base em ideias elevadas
- Odes
- Quase ausência de erotismo em contraste com o seu mestre Horácio

Características estilísticas
Submissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita corresponde uma expressão perfeita
Forma métrica: ode
Estrofes regulares em verso decassílabo alternadas ou não com hexassílabo
Verso branco
Recurso frequente à assonância, à rima interior e à aliteração
Predomínio da subordinação
Uso frequente do hipérbato
Uso frequente do gerúndio e do imperativo
Uso de latinismos (atro, ínfero, insciente,...)
Metáforas, eufemismos, comparações
Estilo construído com muito rigor e muito denso


Poesias

Breve o Dia

Breve o dia, breve o ano, breve tudo.
Não tarda nada sermos.
Isto, pensado, me de a mente absorve
Todos mais pensamentos.
O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,
Que, inda que mágoa, é vida.



Dia Após Dia

Dia após dia a mesma vida é a mesma.
O que decorre, Lídia,
No que nós somos como em que não somos
Igualmente decorre.
Colhido, o fruto deperece; e cai
Nunca sendo colhido.
Igual é o fado, quer o procuremos,
Quer o 'speremos. Sorte
Hoje, Destino sempre, e nesta ou nessa
Forma alheio e invencível.


Vossa Formosa


Vossa formosa juventude Ieda,
Vossa felicidade pensativa,
Vosso modo de olhar a quem vos olha,
Vosso não conhecer-vos —
Tudo quanto vós sois, que vos semelha
À vida universal que vos esquece
Dá carinho de amor a quem vos ama
Por serdes não lembrando
Quanta igual mocidade a eterna praia
De Cronos, pai injusto da justiça,
Ondas, quebrou, deixando à só memória
Um branco som de 'spuma.




Álvaro de Campos

nasceu em Tavira em 1890. Era um homem viajado. Depois de uma educação vulgar de liceu formou-se em engenharia mecânica e naval na Escócia e, numas férias, fez uma viagem ao Oriente (de que resultou o poema “Opiário”). Viveu depois em Lisboa, sem exercer a sua profissão. Dedicou-se à literatura, intervindo em polêmicas literárias e políticas. É da sua autoria o “Ultimatum”, manifesto contra os literatos instalados da época. Apesar dos pontos de contacto entre ambos, travou com Pessoa ortônimo uma polêmica aberta. Protótipo da defesa do modernismo, era um cultivador da energia bruta e da velocidade, da vertigem agressiva do progresso, de que a Ode Triunfal é um dos melhores exemplos, evoluindo depois no sentido de um tédio, de um desencanto e de um cansaço da vida, progressivos e auto-irônicos.
Representa a parte mais audaciosa a que Pessoa se permitiu, através das experiências mais “barulhentas” do futurismo português, inclusive com algumas investidas no campo da ação político-social.
A trajetória poética de Álvaro de Campos está compreendida em três fases:

a primeira, da morbidez e do torpor, é a fase do "Opiário" (oferecido a Mário de Sá-Carneiro e escrito enquanto navegava pelo Canal do Suez, em março de 1914);

a segunda fase, mais mecanicista, é onde o Futurismo italiano mais transparece, é nesta fase que a sensação é mais intelectualizada;

a terceira fase, do sono e do cansaço, aquela que, apesar de parecer um pouco surrealista, é a que se apresenta mais moderna e equilibrada . É nessa fase que se enquadram: "Lisbon Revisited" (l923), "Apontamento", "Poema em Linha Reta" e "Aniversário", que trazem, respectivamente, como características, o inconformismo, a consciência da fragilidade humana, o desprezo ao suposto mito do heroísmo e o enternecimento memorialista.

Característica temáticas

Decadentismo

- abulia, tédio de viver
- procura de sensações novas
- busca da evasão

Futurismo

- elogio da civilização industrial e da técnica
ruptura com o subjetivismos da lírica tradicional
- atitude escandalosa: transgressão da moral estabelecida

Sensacionismo

- vivência em excesso das sensações (Sentir tudo de todas as maneiras ® afastamento de Caeiro)
- sadismo e masoquismo
- cantor lúcido do mundo moderno

Pessimismo (3ªfase): reencontro com o ortônimo:


- dissolução do "eu"
- a dor de pensar
- conflito entre a realidade e o poeta
- cansaço, tédio, abulia
- angústia existencial
- solidão
- a nostalgia da infância irremediavelmente perdida


Características estilísticas

-Verso livre, em geral, muito longo
-Assonâncias, onomatopeias (por vezes ousadas), aliterações (por vezes ousadas)
-Grafismos expressivos
-Mistura de níveis de língua
-Enumerações excessivas, exclamações, interjeições, pontuação emotiva,
-desvios sintáticos
-Estrangeirismos, neologismos
-Subordinação de fonemas
-Construções nominais, infinitivas e gerundivas
-Metáforas ousadas, oxímeros, personificações, hipérboles
-Estética não aristotélica na fase futurista


Poesias

Bicarbonato de Soda


Súbita, uma angústia...

Ah, que angústia, que náusea do estômago à alma!

Que amigos que tenho tido!

Que vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!

Que esterco metafísico os meus prpósitos todos!

Uma angústia,

Uma desconsolação da epiderme da alma,

Um deixar cair os braços ao sol-pôr do esforço...

Renego.

Renego tudo.

Renego mais do que tudo.

Renego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.

Mas o que é que me falta, que o sinto faltar-me no estômago e na

[circulação do sangue?

Que atordoamento vazio me esfalfa no cérebro?
Devo tomar qualquer coisa ou suicidar-me?

Não: vou existir. Arre! Vou existir.

E-xis-tir...

E--xis--tir ...

Meu Deus! Que budismo me esfria no sangue!

Renunciar de portas todas abertas,

Perante a paisagem todas as paisagens,

Sem esperança, em liberdade,

Sem nexo,

Acidente da inconseqüência da superfície das coisas,

Monótono mas dorminhoco,

E que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!

Que verão agradável dos outros!

Dêem-me de beber, que não tenho sede!



Soneto Já Antigo

Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de

dizer aos meus amigos aí de Londres,

embora não o sintas, que tu escondes

a grande dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra Iorque, onde nasceste

(dizes... que eu nada que tu digas acredito),

contar àquele pobre rapazito

que me deu tantas horas tão felizes,

Embora não o saibas, que morri...

mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,

nada se importará... Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily

que acreditava que eu seria grande...

Raios partam a vida e quem lá ande!



ODE TRIUNFAL (fragmento)


À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica

Tenho febre e escrevo.

Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,

Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!

Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!

Em fúria fora e dentro de mim,

Por todos os meus nervos dissecados fora,

Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!

Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,

De vos ouvir demasiadamente de perto,

E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso

De expressão de todas as minhas sensações,

Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical -

Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força -

Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,

Porque o presente é todo o passado e todo o futuro

E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas

Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,

E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,

Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,

Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,

Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,

Fazendo-me um acesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!

Ser completo como uma máquina!

Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!

Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,

Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento

A todos os perfumes de óleos e calores e carvões

Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

Fraternidade com todas as dinâmicas!

Promíscua fúria de ser parte-agente

Do rodar férreo e cosmopolita

Dos comboios estrénuos,

Da faina transportadora-de-cargas dos navios,

Do giro lúbrico e lento dos guindastes,

Do tumulto disciplinado das fábricas,

E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!










terça-feira, 27 de abril de 2010

Alberto Caeiro

Heterônimos

personagem fictícia criada por escritores, cujo objetivo é tentar compreender e propagar diferentes maneiras de ver a realidade exterior/interior, tentando manter distância da visão da realidade ortônima.


Alberto Caeiro (1885-1915)

é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortônimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a “novidade um pouco estranha ao caráter geral da obra”).
Não desempenhava qualquer profissão e era pouco instruído (teria apenas a instrução primária) e, por isso, “escrevendo mal o português”. Era órfão desde muito cedo e vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó.
Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, isto é, recusando saber como eram as coisas na realidade, conhecendo-as apenas pelas sensações, pelo que pareciam ser. Era assim caracterizado pelo seu panteísmo, ou seja, adoração pela natureza e sensacionismo. Era mestre de Ricardo Reis e Álvaro de Campos, tendo-lhes ensinado esta “filosofia do não filosofar, a aprendizagem do desaprender”.
São da sua autoria as obras O Guardador de Rebanhos, O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos.

Características:


Objetivismo
- apagamento do sujeito
- atitude antilírica
- atenção à "eterna novidade do mundo"
- integração e comunhão com a Natureza
- poeta da natureza
- poeta deambulatório

Sensacionismo
- poeta das sensações tais como são
- poeta do olhar
- predomínio das sensações visuais e das auditivas
- o "Argonauta das sensações verdadeiras"

Antimetafísico
- recusa do pensamento (Pensar é estar doente dos olhos)
- recusa do mistério
- recusa do misticismo

Panteísmo naturalista
- tudo é Deus as coisas são divinas

Paganismo
- desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual (Não quero incluir o tempo no
meu esquema)
- Contradição entre a teoria e a prática


Características estilísticas

Verso livre, métrica irregular
Despreocupação a nível fônico
Pobreza lexical (linguagem simples, familiar)
Adjetivação objetiva
Pontuação lógica
Predomínio do presente do indicativo
Frases simples
Predomínio da coordenação
Comparações simples e raras metáforas



Poesias


Entre o que Vejo

Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo
Passa um momento uma figura de homem.
Os seus passos vão com "ele" na mesma realidade,
Mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas:
O "homem" vai andando com as suas idéias, falso e estrangeiro,
E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar.
Olho-o de longe sem opinião nenhuma.
Que perfeito que é nele o que ele é — o seu corpo,
A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças,
Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar.


Gozo os Campos

Gozo os campos sem reparar para eles.
Perguntas-me por que os gozo.
Porque os gozo, respondo.
Gozar uma flor é estar ao pé dela inconscientemente
E ter uma noção do seu perfume nas nossas idéias mais apagadas.
Quando reparo, não gozo: vejo.
Fecho os olhos, e o meu corpo, que está entre a erva,
Pertence inteiramente ao exterior de quem fecha os olhos
À dureza fresca da terra cheirosa e irregular;
E alguma cousa dos ruídos indistintos das cousas a existir,
E só uma sombra encarnada de luz me carrega levemente nas órbitas,
E só um resto de vida ouve.

O rio da minha aldeia

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a AméricaE a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para alémDo rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Fernando Pessoa ortônimo






Olá cambadinha do 3º ano!


Estamos iniciando os posts sobre Fernando Pessoa, grande poeta modernista português, cuja genialidade já conversamos em classe.

Espero que curtam.


Beijos.




Fernando Pessoa


Uma visão breve sobre a vida e a obra do maior poeta da língua portuguesa: - 1888: Nasce Fernando Antônio Nogueira Pessoa, em Lisboa. - 1893: Perde o pai. - 1895: A mãe casa-se com o comandante João Miguel Rosa. Partem para Durban, África do Sul. - 1904: Recebe o Prêmio Queen Memorial Victoria, pelo ensaio apresentado no exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. - 1905: Regressa sozinho a Lisboa. - 1912: Estréia na Revista Águia. - 1915: Funda, com alguns amigos, a revista Orpheu. - 1918/1921: Publicação dos English Poems. - 1925: Morre a mãe do poeta. - 1934: Publica Mensagem. - 1935: Morre de complicações hepáticas em Lisboa.

Fonte: http://www.releituras.com/fpessoa_linhareta.asp Acesso em 27.05.2010

Se quiser uma visão mais completa e muito interessante, escrita pela jornalista Mirna Queiroz para o site português Vidas Lusófonas, visite http://www.vidaslusofonas.pt/idade_contemporanea_xx.htm . A autora, através do discurso direto, faz com que Fernando Pessoa dialogue com seus heterônimos e em algumas partes desse discurso, são utilizados fragmentos de sua obra.

Outro blog muito legal e o http://fernandopessoa.blogs.sapo.pt/, nele há uma” entrevista com Fernando Pessoa”, vale a pena dar uma olhada.


Para compreender a poesia de Fernando Pessoa Ortônimo:



Linhas temáticas

Intelectualização do sentir.
Obsessão da análise.
Impossibilidade de viver a vida.
Solidão interior, angústia existencial, melancolia, resignação.
Tédio, náusea, desencontro com os outros, desamparo.
Inquietação perante o enigma indecifrável do mundo.
Inquietação metafísica, dor de viver
Fragmentação do eu.
Perda de identidade.
Procura.
Absurdo.
Ansiedade.
Nostalgia do bem perdido, do mundo fantástico da infância.
Profunda lucidez, inteligência intuitiva.
Consciência do absurdo da existência
Estados negativos: egotismo, solidão
Renovador de mitos (Sebastianismos)
Neoplatonismo
Tensão sinceridade/fingimento, consciência/inconsciência
Tentativa de superação através de:
- evocação da infância, idade de ouro
- refúgio no sonho, na música e na noite
- ocultismo (correspondência entre o visível e o invisível)
- criação dos heterônimos ("Sê plural como o Universo")

Estilo poético
Preferência pela métrica curta.
Lirismo lusitano ( reminiscências de cantigas de embalar, toadas do romanceiro, contos de fadas).
Linguagem simples, espontânea, mas sóbria.
Reticências.
Gosto pelo popular (uso frequente da quadra).
Versos leves em que recorre frequentemente à interrogação.
Uso de símbolos
Pontuação emotiva
Comparações, metáforas originais, oxímeros.




quarta-feira, 21 de abril de 2010

Características do conto

Olá 8as. séries!

Ai vão as características do gênero Conto para guiá-los em seus trabalhos.

Lembrem-se:

1. Leiam atentamente o "Conto de escola" de Machado de Assis, procurando no dicionário as palavras desconhecidas;

2. Faça uma análise do conto a partir das Características Gerais do Conto postada abaixo;

3. A seguir, Escreva um conto com o título "Conto de escola" narrando um fato interessante ocorrido durante a sua vida escolar. Esse fato pode ter tido você, um colega, um professor como personagem principal. Atenção na escolha do foco narrativo.

4. Os itens 2 e 3 deverão ser entregues como parte da avaliação bimestral em data que combinaremos na próxima aula.

Jusara

A estrutura do conto
-----------------------------------------------------------------------------------------------
Por conto entenda-se:
a) Narração falada ou escrita de um acontecimento.
b) Narração de uma história ou historieta imaginada.

Extensão

O Conto é, antes de tudo, curto, e, por ser curto, conciso (a história é resumida, breve) . Não há tempo para grandes detalhes. Um conto deve estar contido entre algumas palavras (no caso de micro contos) até um máximo de cinco a seis mil palavras.

Momento especial

A história narrada em um conto é um recorte (um momento) da vida do(s) personagem(s). É importante que exista algo especial na representação daquele recorte da vida que gera o conto, o flagrante de um determinado instante que de alguma forma interesse ao leitor. Seja pela novidade, pela surpresa, pelo inusitado, pelo cômico ou pelo trágico de uma situação.

Linhas Dramáticas

Enquanto que num romance pode haver várias linhas de desenvolvimento, como por exemplo, ocorrendo o eixo principal da trama em torno do protagonista, enquanto outras linhas se constroem em torno de personagens secundários e do antagonista (imaginem uma novela) no caso do conto esta linha é única.

Tensão

A tensão é uma forma de imprimir intensidade à narrativa. Em vez de os fatos se desenrolarem de uma vez, o autor vai desvendando aos poucos o que conta, usa a técnica do suspense, adia a resolução da ação e instiga a curiosidade do leitor.

Espaço

O Espaço deve ser reduzido, no geral, uma sala, ou mesmo um quarto de dormir, basta para que se organize o enredo. No máximo, uma casa, uma rua. Um deslocamento maior, o que seria muito raro, pode advir da necessidade imposta pelo conflito. Tome como exemplo o conto “venha ver o por do sol” de Lygia Fagundes Teles: o espaço é o cemitério abandonado e a rua que dá acesso a ele.

Tempo

No conto o Tempo é curto: horas e, quando muito, dias. Não interessa ao conto o passado ou o futuro das personagens. O contista pode fazer uso de um tempo referido: “passaram-se semanas...”. Esse longo tempo referido aparece, assim, na forma de síntese dramática.

Foco Narrativo

Já vimos que o conto é essencialmente objetivo e, por isso, costuma ser narrado na terceira pessoa em uma dessas situações:
1. O escritor, como observador, conta a história.
2. O escritor, como observador analítico ou onisciente (sabedor de tudo), conta história.
Entretanto, a primeira pessoa também pode ser empregada da seguinte maneira: A personagem principal conta a história; ou uma personagem secundária conta a história da personagem central.

Personagens

O conto estabelece-se com um reduzido número de personagens, normalmente duas ou três. Quaisquer outras irão desempenhar funções secundárias. As personagens centrais não exibem complexidade de caráter, isto é, são previsíveis em suas atitudes, pois a brevidade do conto não lhe dá tempo suficiente para mostrar uma faceta imprevisível.

O Diálogo

A linguagem deve também ser objetiva e utilizar metáforas simples e de imediata compreensão para o leitor. Deve-se evitar uma quantidade excessiva de palavras e fluências, principalmente, para dizer coisas de pouca importância, ou de pouco conteúdo. O conto prefere a concisão na linguagem. Quanto ao discurso, deve ser, tanto quanto possível, dialogado. Como os conflitos residem nas falas das personagens, sem diálogo não há discórdia, desavença ou mal-entendido, e sem isso não há conflito, não há ação.

O conto tem preferência pelo diálogo direto porque põe o leitor diante dos fatos, como participante direto e interessado. A comunicação entre o leitor e a narrativa é instantânea. O indireto aparece menos, e assim mesmo, só nos casos em que não vale a pena transcrevê-los diretamente.

Final enigmático

O mais comum é o conto com uma estrutura tradicional, com introdução, desenvolvimento e desfecho.
O final deve sempre ser uma surpresa, a resolução de um enigma, ou a inversão de uma situação que deveria seguir em direção oposta, ou que pareceria sem solução.
O suspense deve ser mantido até o último parágrafo, quando, depois de prender o leitor através de toda a sua leitura, o autor lhe proporcione a risada, o susto ou a surpresa (o grito inumano de Rachel em “Venha ver o por do sol” de Lygia Fagundes Telles).